Os juros compostos são uma faca de dois gumes. Quando investindo, eles trabalham a seu favor. Mas quando endividado, trabalham contra você com a mesma intensidade. E a matemática das dívidas é ainda mais cruel, porque as taxas são muito mais altas.
O pesadelo do cartão de crédito rotativo
O rotativo do cartão de crédito no Brasil cobra em média 15% ao mês. Veja o que acontece com uma dívida de R$ 1.000:
| Meses | Dívida com 15% a.m. |
|---|---|
| 1 | R$ 1.150 |
| 3 | R$ 1.521 |
| 6 | R$ 2.313 |
| 12 | R$ 5.350 |
| 24 | R$ 28.625 |
Em apenas 12 meses, R$ 1.000 se transformam em R$ 5.350. Em 2 anos, R$ 28.625. É por isso que o rotativo é uma armadilha financeira.
Cheque especial: outra armadilha
Com taxas em torno de 8% ao mês, o cheque especial também é devastador:
| Meses | Dívida de R$ 1.000 a 8% a.m. |
|---|---|
| 6 | R$ 1.587 |
| 12 | R$ 2.518 |
| 24 | R$ 6.341 |
Como sair das dívidas usando a matemática a seu favor
1. Pague a dívida mais cara primeiro (método avalanche)
Liste suas dívidas da maior para a menor taxa de juros. Pague o mínimo em todas e concentre todo o dinheiro extra na mais cara. Quando quitá-la, vá para a próxima.
Exemplo: Cartão (15% a.m.), cheque especial (8% a.m.), empréstimo (3% a.m.). Ataque o cartão primeiro.
2. Renegocie as taxas
Um empréstimo com 3% a.m. pode ser trocado por um com 1,5% a.m. em outro banco. A diferença em 24 meses sobre R$ 10.000 é de R$ 4.730 a menos em juros.
3. Corte gastos para acelerar a quitação
Cada R$ 100 extras aportados na dívida de 15% a.m. economizam R$ 435 em juros em 12 meses. Vale mais que qualquer investimento.
Regra de ouro
Enquanto você tem dívidas com juros acima de 1,5% ao mês, pagar a dívida é o melhor investimento possível. Nenhum investimento no mundo paga 15% ao mês consistentemente.